segunda-feira, 13 de junho de 2016

Atriz brasileira vira estrela na TV dos EUA e ganha contrato de cinco anos

A atriz Alice Braga em cena como Teresa, protagonista da série A Rainha do Sul, do Space - Divulgação/USA Network
Aos 33 anos e com 25 filmes no currículo, Alice Braga toma um novo rumo em sua carreira. Pela primeira vez, a brasileira interpreta a protagonista de uma série de TV norte-americana. A atriz vive a traficante mexicana Teresa em A Rainha do Sul, produção com 13 episódios da USA Network, do grupo NBC, a ser exibida no Brasil pelo canal Space a partir do próximo dia 7. Alice, que é sobrinha de Sônia Braga e nunca fez novela no Brasil, assinou contrato de cinco com a USA, tratamento que só é dado às grandes estrelas da televisão dos Estados Unidos.

"Quero muito continuar a fazer séries, é um sonho meu. O bom é que essa tem 13 episódios. Acho que eu não fecharia se tivesse 22, porque você fica o ano inteiro gravando e eu amo muito fazer cinema. Quando fui assinar o contrato de cinco anos, pensei: 'Meu Deus, nunca assinei nada a que ficasse conectada'. Mas foi uma entrega. Com a idade, estou pensando um pouco mais em me organizar. É um novo momento", conta a atriz, a brasileira mais bem-sucedida no mercado internacional.

Uma das grandes apostas do canal que venceu o último Globo de Ouro, com Mr. Robot, A Rainha do Sul é a história de uma mulher que herda do namorado um império de narcotráfico no México. A produção é baseada no livro homônimo do escritor Arturo Pérez-Reverte, que a atriz leu há oito anos. Um dos fatores que despertaram o interesse de Alice na trama foi o fato de a personagem ser líder em um universo majoritariamente masculino.

"É muito interessante como atriz fazer um personagem que normalmente é interpretado por homens. Geralmente, quando nós [mulheres] somos protagonistas de alguma coisa, é sempre em algo relacionado aos homens: ou estamos procurando marido, ou nos separando do marido. Esse é um personagem que poderia ser interpretado por um homem, mas é a jornada de uma mulher, tem o diferencial da força dela. Me acharam a heroína da ação", conta.

O piloto, dirigido por uma mulher (a dinamarquesa Charlotte Sieling), foi filmado em janeiro de 2015, e os demais episódios foram feitos entre setembro e março deste ano. Alice morou em Dallas, no Texas, durante sete meses para se dedicar às gravações e à construção da personagem. Ao falar sobre Teresa, ela deixa clara a paixão e a proteção que sente pela figura.

"Conversei muito com os roteiristas e entendi que eles estavam querendo fazer uma jornada um pouco diferente [do livro]. Falei: 'Vamos nessa, mas vou honrá-la'. Fui pegando detalhes do livro, essa coisa de Teresa ouvir muito mais do que falar, de não se vitimizar. Lembro de uma fala que escreveram em que ela estava se fazendo de vítima. Liguei para eles [roteiristas] e disse: 'Eu não posso falar isso, compromete tudo'. Fiquei muito ligada, ia o tempo inteiro no livro para me manter conectada a ela", explica.

Narcotráfico na TV

Essa não é a primeira vez que a história de A Rainha do Sul vai ao ar na TV. Em 2011, a rede de televisão norte-americana Telemundo produziu a novela La Reina del Sur, com 63 episódios (no Brasil, foi exibida no ano passado pelo canal pago +Globosat). A atriz mexicana Kate del Castillo, protagonista dessa versão, foi alvo de investigações em janeiro deste ano após ter se encontrado com o traficante mexicano El Chapo, que era procurado pelo FBI e pela Interpol. Ela foi responsável também por mediar um encontro do ator norte-americano Sean Penn com o criminoso. Alice reprova a atitude de Kate.

"Fiquei desacreditada, como ela conseguiu chegar até ele? Achei muito triste e complicado porque El Chapo é uma pessoa que matou muita gente, não fez muitas coisas boas para o país dela [Kate]. Mas é uma escolha, acho que há uma curiosidade quase antropológica de querer entender quem é aquele ser humano. Então também não dá para julgar. Mas pensei: 'Agora eu sou a nova Rainha do Sul e essa mulher faz isso'", revela.

Alice se diz contrária à glamurização das drogas na TV e no cinema, porém defende que as histórias de traficantes são válidas quando dão o foco para os personagens e deixam "a cocaína como coadjuvante". Ela é grande fã de Breaking Bad (2008-2013) e de Narcos (2015), por exemplo.

"Wagner [Moura, protagonista de Narcos] é um irmão para mim. Ele foi uma das pessoas que me inspiraram nessa jornada. Ele sendo o rei do tráfico [no papel do traficante colombiano Pablo Escobar] e eu a rainha, está feito", brinca.

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