segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Ex-diretor e autor de livro sobre as Paquitas diz: "eram escravas brancas"

Ex-diretor e autor de livro sobre as Paquitas diz:
Durante 10 anos, João Henrique Schiller trabalhou como editor e diretor do programa "Xou da Xuxa". Em 1996, ET, como ele era conhecido na TV Globo, decidiu escrever o livro "Sonhos de Paquitas -  Nos bastidores do Xou", contando todas as adversidades sofridas pelas meninas que trabalhavam como ajudante de palco da Xuxa.

Após o lançamento da obra, sem clima de continuar no infantil que marcou as manhãs da Globo, o profissional foi transferido para outro produto da emissora. No ano que o "Xou da Xuxa" completa 30 anos de sua estreia, João Henrique Schiller não descarta reescrever o livro com novas histórias ainda mais polêmicas sobre a profissão que nas décadas de 80 e 90 era o sonho de várias meninas no país.  

Em conversa com esta coluna, o autor conta: "O livro era para ser transformado numa peça de teatro, reunimos algumas vezes nas casas das Paquitas junto com os pais e comecei a gravar os depoimentos. Durante as reuniões eu percebi que aquilo dava um livro. Fui muito incentivado pelos pais das Paquitas, porque viam que o sonho não era tão bom quanto imaginavam. Todas essas gravações estão em fitas cassetes guardadas num cofre".

"Elas sofriam uma tortura psicológica e moral nessa época. Eram contratadas como princesas e todas não passavam de meras escravas brancas. Se é pra falar a verdade eu estou pronto. Não tenho mais vínculo com televisão nenhuma, cumpri 37 anos de televisão na TV Globo", diz ET, que hoje está aposentado.
O ex-diretor da Globo comenta sobre o boicote que sofreu na época do lançamentos do livro. "Houve boicote sim, eu fui ameaçado de morte. Marlene Mattos comprou todas as edições que estavam nas bancas de jornais do Brasil. Não houve muita divulgação, porque ela (Marlene) ameaçou que quem falasse do livro não teria mais informações da Xuxa e ninguém queria complicação com ela", diz.

João Henrique Schiller também comentou se nunca teve medo de ser processado. "Uma pergunta que fica no ar: Se eu falei alguma inverdade, por que nunca fui processado e nunca fui demitido? Você acha que a TV Globo não me demitiria se tivesse alguma mentira ou inverdade? Você acha que os advogados da Xuxa não fariam eu responder processos de difamação, calúnia ou danos morais depois que levei todo mundo pra delegacia? Eu nunca fui processado, será por quê? Eu não falei nada que não seja verdade", afirma.

"Eu tenho sete filhos, três mulheres e quatro homens. E se fosse com uma das minhas filhas? Esse foi minha intenção, um alerta como pai. Não entreguem seus filhos para ninguém apenas por poder dizer que trabalha na televisão. Nunca quis o prejuízo de ninguém, apenas que se pensassem que não era um sonho de princesa coisa nenhuma, era pesadelo o tempo todo. Elas sofriam uma tortura psicológica e moral nessa época. Era fazer macarrão instantâneo na água quente que saia da torneira do hotel", reflete o ex-diretor que nos últimos anos na Globo ficou responsável pela formatação das novelas pra DVD da Globo Marcas.

O diretor do “Xou da Xuxa” conta como está sua relação com Xuxa e Marlene atualmente: "Hoje eu tenho uma boa relação com a Marlene, mas trabalhar com ela é muito difícil ela gostava de gritar e eu não concordava com isso. Com a Xuxa eu não tenho mais contato, mas se encontrasse com ela tentaria explicar minha intenção da época".

Além de “Sonhos de Paquitas - Nos bastidores do Xou", João Henrique Schiller assinou outros títulos como a biografia da cantora Vanusa (”Vanusa - Ninguém é Mulher Impunemente”) e do roqueiro Serguei ("Serguei - O Anjo maldito").

Sobre a ideia de lançar uma nova edição do livro agora que o "Xou da Xuxa" completa 30 anos desde sua estreia, João Henrique Schiller não descarta: "Se alguma editora se interessar eu faço com certeza obsoluta. Eu tenho várias histórias que não publiquei, inclusive algumas vividas por essas meninas na Argentina. Eu tenho amigos ex-seguranças, eu posso reunir os Paquitos que também sofreram muito. Eu posso reunir pessoas para tentar mostrar o lado obscuro da Lua”, finaliza. #Polêmica2016

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