quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Dançante, novo disco põe pedra em cima de fase caótica de Edson & Hudson

Laço familiar entre Edson e Hudson se estreitou durante a gravação do novo álbum da dupla
Com a voz calma, entrecortada por risadas, Hudson não parece o mesmo sertanejo que viveu em meio ao caos nos últimos anos. "Estou tendo uma experiência mágica, meu filho acabou de fazer três meses", ele contou . Mas há outro bom motivo para a bonança ter batido à sua porta. "Escândalo de Amor", o novo disco ao lado do irmão Edson, marca definitivamente uma nova fase na vida da dupla, tanto no lado familiar e quanto no profissional.
"A gente já estava muito bem, o relacionamento estava ótimo, mas essa gravação fez a gente se reaproximar musicalmente. Faltava fazer um trabalho juntos, ver a criança nascer. Isso trouxe a gente ainda mais perto um do outro", disse Hudson. A nova fase põe uma pedra nas lembranças ruins, como a separação da dupla em 2008, a prisão de Hudson por porte ilegal de arma e a internação do músico em uma clínica de reabilitação no ano passado, além da morte do pai deles.
Surfando em um clima harmonioso, a dupla focou em um repertório variado, com influência latina e, acima de tudo, dançante. Em um momento em que o gênero tem apostado no clima onipresente de festa e bebida, Edson e Hudson contaram com a produção refinada do argentino Luiz Gustavo e decidiu abrir o leque.

Investiu na guarânia dos velhos tempos em "Escândalo de Amor" (que lembra "Estrada da Vida", de Milionário e José Rico), no pop rock com "Mil Livros" e no primo latino do sertanejo, a bachata, gênero nascido na República Dominicana. O ritmo é uma espécie de bolero mais pop e acelerado, e tem feito sucesso na voz do norte-americano Prince Royce -- cujo sucesso "Soy el Mismo" ganhou versão da dupla em português

Latino-americano

A pegada latina veio ao encontro do desejo da gravadora Universal, que contratou a dupla este ano. "O presidente da gravadora na América Latina se interessou pelo som e queria um disco romântico e dançante. Eu já tinha feito seis canções e a proposta que a gente tinha em mente era exatamente essa", contou Edson. "Seguir o que está sendo feito seria um tiro no pé".

Ainda assim há participações de uma geração mais jovem, como Gusttavo Lima, e João Neto & Frederico, mas sempre mantendo o cuidado de sair da moda. "A gente queria se diferenciar do sertanejo atual, que eu gosto muito, mas tem muita gente se autocopiando. Sem querer criticar o estilo, mas parece que todo mundo pegou a mesma estrada. Está tudo engarrafado", brincou o guitarrista.

A volta ao estúdio foi essencial para colocar a dupla no eixo, dessa vez, musicalmente falando. O álbum anterior, "De Edson para Hudson", foi gravado enquanto Hudson ainda estava internado na clínica. Por necessidade, Edson assumiu a produção, mas não conseguiu terminar e o álbum perdeu força musicalmente.

"Eu estava internado, então não deu para fazer muita coisa. Agora, todo mundo está com a mente boa, todo mundo focado. Analisamos o repertório de maneira amorosa", disse Hudson, que celebra a nova fase. "Aquela maré ruim que passou e voltou trazendo mais coisas ruins, já era. Agora a água está bem limpa, o mar calmo, e está para peixe, o que é melhor".

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