terça-feira, 28 de abril de 2015

"Meu pai deixou muita gente órfã, não apenas os filhos e a família", diz filho de Antônio Abujamra

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André Abujamra, 49, ator e músico, já havia preparado o lançamento de um disco em homenagem ao pai muito antes de saber de sua morte, na manhã desta terça-feira 28. O disco, intitulado “O Homem Bruxo”, já está pronto e tem lançamento marcado para o dia 17 de maio. “É um lançamento independente, algo que meu pai sempre priorizou”, disse ele em entrevista exclusiva por telefone para à Istoé. “Meu pai foi um grande, um mestre para muita gente. Deixou muita gente órfã, não apenas os filhos e a família. Foi um dos maiores diretores de teatro que o Brasil, ou mesmo o mundo, já teve. Ganhou muitos prêmios, também, mas não queria saber deles”, diz.

O artista estava em Brasília na manhã desta terça-feira quando recebeu a notícia por telefone, dada pelo irmão. “Ele morreu durante o sono, de maneira tranquila, como acredito que todos gostariam de morrer”, diz. André conta que a família tinha uma relação muito próxima. “Minha mãe faleceu há dois anos, após 52 anos de casamento, e ele sofreu muito. Isso nos aproximou ainda mais”, diz.

Essa proximidade também era refletida em uma série de colaborações entre os dois. Além de gravar a trilha sonora de “Provocações”, programa de entrevistas apresentado pelo pai e transmitido pela TV Cultura, André conta que gravou todas as trilhas da companhia carioca “Os Fodidos Privilegiados”, com quem Antônio Abujamra encenou diversas peças, e foi dirigido por ele em uma peça ao lado da atriz Denise Stocklos, “Cantadas”.
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Entre os personagens que o pai interpretou, André considera Ravengar o mais importante. “Transformou-se em um ícone, e ele era lembrado até hoje por isso”, diz. Entre as peças favoritas dirigidas pelo pai, ele cita “Hamleto”, adaptação do “Hamlet” de William Shakespeare encenada durante a década de 1980, primeiramente com um elenco totalmente masculino, e depois só com mulheres. Outras favoritas incluem “Volpone ou A raposa”, de 1977, e “O Contrabaixo”, monólogo baseado no texto de Patrick Suskind, de 1987. “As pessoas sempre comentavam sobre o desempenho dele como músico na peça, e na verdade ele nem sabia tocar”, diz.

Além das peças e parcerias, André conta que muitas das lembranças são de episódios da sua vida pessoal. “Me lembro quando era pequeno e ele me dizia: ‘A vida é sua, estrague como quiser’. Não é algo que um pai costuma dizer a um filho, mas eu acho sensacional”, diz. Os dois também podem ser vistos juntos no próximo episódio do programa “Sonhos de Abu”, criado e dirigido por André, que irá ao ar no Canal Brasil às 23h30 da próxima sexta-feira 24.

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