domingo, 25 de janeiro de 2015

Corpo de Maria Della Costa é velado no Theatro Municipal do Rio

Corpo de Maria Della Costa será enterrado em Paraty, na segunda-feira (26) (Foto: Fernanda Rouvenat/ G1)

O corpo da atriz Maria Della Costa começou a ser velado no Theatro Municipal do Rio por volta das 9h deste domingo (25). Familiares e amigos - entre eles artores como Nathalia Timberg - compareceram ao local para prestar as últimas homenagens a umas das maiores atrizes do teatro brasileiro. O velório permanecerá aberto até 14h.

Maria Della Costa morreu às 16h30 deste sábado (24), aos 89 anos. Ela estava internada no Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, e teve um edema pulmonar agudo. Ela ainda será velada na Câmara dos Vereadores de Paraty, na Costa Verde, e enterrada no Cemitério Municipal de Paraty às 11h de segunda-feira (26). Ela não tinha filhos.
"Eu acompanhava a trajetória da Maria e ela Foi uma operária abençoada do teatro. Com força com dignidade e sucesso. Uma pessoa linda que ela foi, mesmo quando já estava debilitada pela doença", disse Nathalia Timberg.
Atriz Nathalia Timberg compareceu ao velório de Maria (Foto: Fernanda Rouvenat/ G1)
Apesar de não terem trabalhado juntas, Nathalia considera Maria Della Costa uma pessoa influente na sua carreira. "É um ser que era tão bonito por dentro como por fora. O pouco que nós tivemos próximas deixou um lastro bem marcante na minha alma. Eu acompanhei a trajetória dela como companheira de teatro", comentou.

"Uma gaúcha poderosa e linda, sem nenhum tipo de estrelismo". Essa é a lembrança que fica para o ator Ney Latorraca. "Eu falei com ela na semana passada para saber como ela estava. Nós nos víamos sempre quando eu estava em Paraty. A Maria foi uma atriz muito importante dentro do teatro, ela viajava o mundo inteiro de navio levando o repertório dos autores brasileiros. Era uma pessoa muito simples", disse o ator.
A atriz foi uma das maiores do teatro brasileiro. Com a carreira iniciada aos 18 anos, em 1944, ela interpretou papeis em obras como Anjo Negro, de Nelson Rodrigues, Prostituta Respeitosa, de Sartre, Ralé, de Gorki, O Canto da Cotovia, de Anouilh, Com a Pulga Atrás da Orelha, de Feydeau, Mirandolina, de Goldoni, A Casa de Bernarda Alda, de Lorca, A Rosa Tatuada, de Tennessee Willians, Moral em Concordata, de Abilio Pereira de Almeida, A Alma Boa de Se-Tsuan, de Brecht, Gimba, de Guarnieri, O Marido vai à Caça, de Feydeau, Depois da Queda, de Arthur Miller, As Alegres Comadres de Windsor, de Shakespeare, entre outras participações memoráveis.
Maria Dellacosta morreu aos 89 anos (Foto: Anderson Rocha)
Ao lado de seu segundo marido, Sandro Polloni, um amor para toda a vida, ela fundou em 1948 o Teatro Popular de Arte, no Rio de Janeiro, origem da Companhia Maria Della Costa, sediada em São Paulo, que se tornou, com a inauguração da própria casa de espetáculos em 1954, uma referência preciosa do bom teatro no Brasil. Para estruturar a companhia, o casal trouxe da Itália um dos maiores encenadores do palco nacional, Gianni Ratto.
Maria também foi responsável por lançar grandes nomes do teatro, como Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Ney Latorraca, e os diretores Ruggero Jacobbi, Gianni Ratto, Graça Mello, Eugênio Kusnet, Flavio Rangel e Jairo Arco Flexa. Na televisão, interpretou papéis nas novelas Beto Rockfeller e Estúpido Cupido.

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