segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Gloria Perez nega que série lembre morte da filha: "Não sou masoquista"

Glória Perez durante a apresentação do seriado "Dupla Identidade", no Rio
Glória Perez está animada com sua nova obra, a série "Dupla Identidade", que estreia nesta sexta-feira (19), na Globo.
Durante a apresentação da novela para a imprensa, no dia 4 deste mês, ela analisou seu papel como escritora e explicou como lida com as críticas dos internautas sobre suas tramas. A autora contou ainda de onde surgiu a ideia da série, que narra a história de um serial killer, interpretado por Bruno Gagliasso, que mata mulheres por prazer, apenas para se sentir poderoso.

Os crimes bárbaros são difíceis de serem desvendados, já que o criminoso não costuma deixar pistas. A história gira em torno desta caça ao assassino feita pelo delegado Dias (Marcelo Novaes) e a psicóloga forense Vera (Luana Piovani).

"O interesse no tema surgiu da observação desde gênero do suspense psicológico que não existe muito na TV aberta. Sempre fui fã das séries e da literatura policial. Todos temos curiosidades de entender como funcionam essas mentes, que são humanas, mas tão diferente do que a gente considera humano", explica a autora.

Apesar de tratar de um tema que mostrará assassinatos macabros, Gloria Perez garante que escrever sobre o caso não a fez recordar o crime bárbaro sofrido pela sua filha, Daniella Perez, que foi brutalmente assassinada em 1992, aos 22 anos, pelo colega da novela "De Corpo e Alma", o ator Guilherme de Pádua.

"Lógico que não, não sou masoquista. Se fizesse eu lembrar de algo é claro que não faria. Apesar do tema, a história da série é tratada de forma leve. O telespectador verá muito suspense, mistério e emoção".

Acostumada a abordar temas inovadores em suas tramas, como foi o caso da gestação de aluguel em "Barriga de Aluguel" (1990), do transplante de órgãos em "De Corpo e Alma" (1992) e da clonagem humana em "O Clone" (2001), Gloria Perez explica que tem interesse por assuntos relacionados aos avanços científicos e tecnológicos.

"Tenho uma antena, por isso todas as minhas novelas têm uma coisa em comum. Gosto sempre de observar esse ângulo, as vivências novas que o avanço da tecnologia traz. Introduzem dramas que a humanidade não conhecia antes. Isso é: transplante de coração, clonagem humana, uma série de fatores", conta ela, que também abordou o tema do relacionamento gay em "América" (2005). Na época, foi gravada uma cena de beijo entre dois homens, mas a emissora decidiu não colocar no ar.

Daniella Perez, filha de Gloria, e Cristiana Oliveira em cena de "De Corpo e Alma"

A autora afirmou ainda que se considera responsável por popularizar a internet no Brasil por conta da novela "Explode Coração", de 1995, que mostrou o envolvimento da cigana Dara (Tereza Seiblitz) com o empresário Julio (Edson Celulari) com um romance virtual.
"Acho muito interessante que eu popularizei a internet no Brasil através de 'Explode Coração', fiz a primeira novela interativa. Foi uma novela feita a partir do meu espanto com aquela vivência nova, desse avanço da tecnologia estava trazendo. As pessoas se conhecendo através da internet, vivendo velhas histórias de uma forma nova", recorda.

Por falar em internet, a autora, que recebeu muitas críticas de internautas pelas redes sociais durante a novela "Salve Jorge" (2012), garante que não se incomoda com as reclamações e manifestações contra suas tramas. Gloria acredita que isso aconteceu porque a novela foi um sucesso.

"Normal (a crítica). No Brasil todo mundo é crítico de futebol e de televisão. E as pessoas nunca perdem tempo para criticar um time que ninguém conhece. Eles criticam Flamengo, Fluminense, Corinthians, então está tudo certo", conta, aos risos.

Apesar disso, na época da novela, Gloria usou seu perfil do Twitter para rebater as críticas recebidas por conta de erros de continuidade da produção e pela cena em que Lívia Marini (Claudia Raia) usa uma injeção letal em um elevador de hotel cinco estrelas e não é flagrada por câmeras. "Trollar novelas, panfletar para políticos, tem gente paga pra tudo isso: trollar Salve Jorge está rendendo 15 mil reais", disse ela em maio de 2013, referindo-se a uma reportagem da revista "Veja" que afirmava que pessoas eram pagas para ofender políticos nas redes sociais.

Na reta final de "Salve Jorge", Gloria reconheceu que a novela foi prejudicada por alguns fatores, entre eles o mês da estreia e excesso de feriados, mas comemorou o sucesso da trama.

"'Salve Jorge' trouxe personagens marcantes, que vão ficar no imaginário popular, e um tema original que não será esquecido. Ousou e inovou, abordando um tema pesado, como esse do tráfico de pessoas, protagonizado por uma personagem que também ainda não tinha sido mostrada em novelas: a típica garota da favela. Acredito que tenha sido, também, a primeira protagonista prostituída. Foi uma novela que cutucou e desmascarou preconceitos. Dava um estudo de sociologia!", disse, na ocasião.

Gloria Perez começou sua carreira em 1983, em "Eu Prometo", como colaboradora de Janete Clair. Aos 65 anos, ela traz em seu currículos folhetins de sucesso, como "Caminhos das Índias" (2009), "Explode Coração" (1995) e a série "Hilda Furacão" (1998), protagonizada por Ana Paula Arósio.

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