quinta-feira, 8 de maio de 2014

Morre, aos 75 anos, o cantor Jair Rodrigues


O cantor Jair Rodrigues morreu na manhã desta quinta-feira (8), aos 75 anos, em sua casa em Cotia, na Grande São Paulo. A assessoria de imprensa do artista, conhecido por sucessos como "Deixa Isso Pra Lá" e por suas parcerias com Elis Regina, ele foi para a sauna de sua casa na noite da quarta-feira e não saiu mais de lá. A família só encontrou o corpo por volta das 10h.

A causa da morte de Rodrigues ainda é desconhecida, mas seu corpo  vai passar por exames da perícia. Ainda de acordo com sua assessoria, Jair Rodrigues não apresentava problemas de saúde e cumpria normalmente a agenda de shows. Sua última apresentação foi no dia 5 de abril no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, com ingressos esgotados.

Rodrigues deixa a mulher Clodine, dois filhos (os também cantores Luciana Mello e Jairzinho) e quatro netos, que estão reunidos na casa do artista. Parentes e amigos, entre eles o cantor Simoninha, filho de Wilson Simonal, também chegaram para confortar a família.

A notícia da morte do cantor repercutiu imediatamente nas redes sociais entre os colegas do samba, do rap e até da música sertaneja, à qual Rodrigues também se associou ao cantar "Disparada", na TV nos anos 60. "Foram muitos anos que a gente se relacionou em eventos. Ele irradiava alegria", comentou Chitãozinho à TV Globo nesta manhã.

Jair, filho da bossa e pai do rap
Jair Rodrigues de Oliveira nasceu no dia 6 de fevereiro de 1939 em Igarapava, interior de São Paulo. Ele iniciou a carreira musical nos anos de 1950 e, na década seguinte, atingiu o sucesso em programas de calouros na televisão.

Em 1964 gravou seu disco de estreia, "Vou de Samba com Você". Duas canções da época, "Brasil Sensacional" e "Marechal da Vitória", embalaram a vitória da seleção brasileira de futebol na Copa do Chile. Em 1964, veio um de seus maiores sucessos, "Deixa Isso Pra Lá", que cantava até hoje nos shows e participações de TV.

Ao lado de Elis Regina, Jair Rodrigues se tornou um dos grandes nomes do samba ao participar do notório "O Fino da Bossa", programa da TV Record que foi ao ar entre 1965 e 1967.

Com jeito brincalhão de malandro e voz potente, Jair ficou nacionalmente conhecido através dos duetos com a "Pimentinha". O trabalho rendeu três discos: "Dois na Bossa" nos volumes 1, 2 e 3, gravados ao vivo. Na época, foi um dos primeiros registros a atingir mais de 1 milhão de cópias.

A interpretação de Jair ganhou dimensão que ressoa até hoje principalmente com a canção "Disparada", de Geraldo Vandré e Théo de Barros. A canção sertaneja foi sensação no Festival da Música em 1966, principalmente pelo fato de Jair ter ficado conhecido como um artista do samba. "Disparada" acabou empatada com "A Banda", de Chico Buarque.

Jair realizou turnês pela Europa, Estados Unidos e Japão. Em 1971, gravou o samba-enredo "Festa para um Rei Negro", da Acadêmicos do Salgueiro.

Carismático, Jair Rodrigues revisitou o disco "Dois na Bossa" no palco dedicado a Elis Regina na Virada Cultural de 2012, em São Paulo. Na ocasião, ele afirmou que Elis havia sido um "grande amor". Ele voltaria a relembrar da época ao assistir o espetáculo "Elis, a Musical", quando aplaudiu de pé e foi homenageado pelo público.

Em julho do ano passado, Rodrigues se viu envolvido em uma polêmica após aparecer em Brasília ao lado de artistas que se declaravam contrários à aprovação de um projeto de lei que criou regras mais rígidas para o funcionamento do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). Posteriormente, o cantor negou que estivesse do lado do Ecad: "Eu não represento o Ecad e o Ecad não me representa", disse.

O último trabalho, o disco duplo "Samba Mesmo", é uma homenagem do cantor ao samba e à seresta, e foi lançado em fevereiro




















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